Buda, Darma, Sanga – Monja Coen

Buda, Darma, Sanga – Generosidade Mútua

O corpo Buda é o corpo vida, multiverso – chamado de Sambogakaia.  Natureza Buda, natureza iluminada e sábia se manifestando em cada particula do cosmos.  Buda nasce e renasce Buda incessantemente.

Ao mesmo tempo é o Darmakaia – o corpo do Darma, dos ensinamentos, da grande verdade. Como poderia Buda ser se não o fosse pelo despertar?  Seus ensinamentos são seu corpo verdadeiro.  Os sutras, os Preceitos, a vida de prática incessante do caminho – que leva à percepção do grande vazio, da transitoriedade e da rede de interdependência – são o corpo Darma.

Buda Xaquiamuni, comprovado historicamente como o príncipe Sidarta Gautama, nascido dia 8 de abril num jardim de flores e nectar celestial é o Nirmanakaya.  O corpo humano, a pessoa Buda.

Bebê, criança, adolescente, adulto, idoso, Buda viveu há cerca de dois mil e seiscentos anos, na Índia.  Abandonou o que é difícil de se abandonar.  Correu e percorreu estradas, florestas, montanhas, rios.  Abriu os caminhos do zazen, meditaçao, sabedoria e compaixão.   Atingiu o samadhi dos samadhis. Percebeu-se vida interdependente de tudo que é.

Interdependência é o incessante circular do compartilhamento supremo: vento, sementes, sol, águas , terra, planta, insetos, animais, peixes, aves – vida, alimentando vida.   Alimentos de alimentos alimentando alimentos. Antropofagia?  A vida da Terra se alimenta de si mesma.  Compartilha.

Mutúa interdependência significa mútuo suporte.

Quando nós, a Sanga, recitamos sutras – os ensinamentos de Buda, o Darma de Buda, oferecemos seus méritos aos Budas e às Budas, Mestres e Mestras Ancestrais em gratidão por suas orientaçoes.  Constantemente recebemos seus ensinamentos e constantemente transmitimos os ensinamentos.

Buda, Darma e Sanga entrelaçados, sustentando uns aos outros na hramonia da prática do Caminho.

Dana Paramita – prática da doação perfeita, doação que nos leva à margem da sabedoria e tranquilidade – deve estar além da dualidade entre o eu e os outros.

Apenas quando o eu é esquecido, corpo e mente são abandonados, a mente se manifesta incessante e luminosa,  jorrando sabedoria e compaixão.

Gratidão, de graça. Graça de poder dar, servir.  É preciso ter quem receba, acolha.  Nossa carne, nosso sangue, nossa medula, nossa mente, nosso ser.  Tudo é dana paramita.  Doar.  Este o caminho do Bodisatva.

Bodisatvas são seres que renunciam a seu bem estar pessoal pelo bem de todos os seres.

Bodistavas podem ser eu e você, se formos capazes de

 praticar a doação da confiança e do respeito, libertando a todos das amarras da delusão, do medo e do sofrimento.

Dogen Zenji (1200-1253) escreveu  sobre quatro espécies de sabedoria benéficas: ofertas, palavras amorosas, benevolência e identificaçao. São práticas de Bodisatva.

A primeira, ofertas ou doação é o oposto à avareza. Fazer ofertas sem esperar receber nada em troca.  Não há necessidade de se preocupar se a doação é pequena ou grande.  O importante é que traga verdadeiros resultados.  Uma pequena oferta pode causar grandes  ensinamentos.

Os ensinamentos são tesouros, os ensinamentos são ofertas.

Construir uma ponte, um templo, um local de prática – são formas de doação.

A  coordenadoria administrative da Comunidade  Zen Budista Zendo Brasil inicia neste trimestre a campanha Colabore.

Colaborar – trabalhar juntos – para a construção de locais adequados à clarificação e prática dos ensinamentos de Buda.

Buda, Darma e Sanga são generosidade mútua, são o interser da natureza. Surgem da ternura, do respeito, do cuidado, da prática-realização.

Compartilhar Buda,  praticando a vida iluminada.

Compartilhar o Darma, vivenciando o Darma.

Conviver com a Sanga, sendo a Sanga.

Os Três Tesouros, as Três Jóias, são uma única jóia arredondada, sem dentro nem fora.

Não reclame. Não resmungue.

Participe. Aprecie. Colabore.

Mãos em prece

Monja Coen

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